
Você vê alguma beleza em mim?
Aí Ele disse:
- Agora vamos fazer os seres humanos, que serão como nós, que se parecerão conosco. Eles terão poder sobre os peixes, sobre as aves, sobre os animais domésticos e selvagens e sobre os animais que se arrastam pelo chão.
Gn. 1,26
Há algum tempo eu noto que tudo em minha volta está mudando. Os dias passam mais rápidos, os meses correm e os anos voam. Vivemos na era da velocidade, já não é o mais forte quem vence o mais fraco, e sim, o mais rápido quem vence o mais lento.
Não sentamos mais à mesa, que mesa? Àquela que nossas avós preparavam para nos sentarmos todos juntos sem que nos importássemos com o tempo. Agora não nos preocupamos com o que somos, mas com o que temos. Se há algum valor em nós, esse valor é medido por aquilo que conseguimos comprar.
Só não podemos comprar a paz. Não se vende saúde. Não se empresta mais anos de vida. Não é engraçado como aquilo que de material conquistamos logo perde o valor? E pior, junto com ele vai o nosso contentamento.
Eu me pergunto, que beleza há em nós? Estou tentando recuperar os valores que perdi. Como me calei diante de tanta injustiça? Como não grito mais contra a fome, o abandono, a imoralidade, os vícios? Ao sermos criados Deus nos fez a sua imagem e semelhança e nos disse: Domine. Ele disse para nós dominarmos.
Se ainda há beleza em mim estou certo de que é a luz do Filho de Deus, aquele que me encoraja a caminhar todos os dias. Ele disse que me daria a vida eterna.
Ainda nesses tempos velozes e difíceis a única certeza que temos é a de que ainda há esperança. Lembre-se, Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai se não por mim”. (Jo. 14, 6).
Leandro Silva dos Santos


